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Artigos › 10/07/2017

Carne e Espírito

Somos uma só pessoa, composta de algo material e imaterial. Não se trata de separar o corpo da alma, como sendo composições  separáveis. Nem a morte física os separa, pois, nossa pessoa não morre e sim se transforma com a ação de Deus, que nos faz deixar o corpo corruptível e assumir o corpo não corruptível, fazendo com que nossas pessoas sejam preservadas inteiras com a ressurreição (Cf. 1 Coríntios  15,42-49).

Nosso desafio, nesse tempo da peregrinação terrena, é o de vivermos como pessoas que sabem trilhar o caminho com o objetivo de realizar o projeto de Deus. Assim  toda a nossa personalidade se articula com suas qualidades para atingir o objetivo da conquista da felicidade plena. Esta só se consegue quando se caminha utilizando os próprios talentos para tornar o convívio com o semelhante e a natureza eficaz para se implantar a vida de sentido e realização para todos. Então vai se viver conforme o espírito, como diz Paulo: “Se viverdes segundo a carne, morrereis, mas se, pelo espírito, matardes o procedimento carnal, então vivereis” (Romanos 8, 13). Para isso, é preciso contar com a ação divina, que nos faz canalizar os impulsos instintivos da carne para um bem maior. Deste modo não seremos arrastados pelos desejos do corpo e sim conjugá-lo-emos para a realização do ideal de vida conforme o projeto divino.  Jesus o fez de forma exemplar. Por isso, Ele se torna nosso modelo de doação de si pelo bem da humanidade, não usufruindo de vantagens na ordem física e material. Ele mostra que o corpo deve se submeter aos ditames do ideal de se viver para se servir e amar, promovendo o bem de todos, mesmo com o sacrifício de si.

Quem se sujeita à lei do amor, com a ação do Espírito Santo,  humaniza-se e ajuda a humanizar a convivência com o próximo. A carne se sujeita ao espírito, regido por Deus.

O apóstolo Paulo fala enfaticamente: “Vivam segundo o Espírito, e assim não farão mais o que os instintos egoístas desejam” (Gálatas 5,16). Ele especifica, em seguida,  o que realiza ações próprias do egoísmo, como: a fornicação, a libertinagem, a idolatria, as rivalidades, a inveja, as orgias, a bebedeira e outros. Ao contrário, quem vive segundo o Espírito pratica o amor, a paciência, a bondade, a fé, o domínio de si… É próprio de quem vive como pessoa íntegra unir, na própria personalidade, o que é inerente à natureza com seus instintos e o impulso para assumir a própria espiritualidade e imaterialidade. O espiritual une o instinto e o impulso para o transcendente, de modo a fazer com que a vida seja uma busca constante do bem natural unido ao sobrenatural. Corpo e alma trabalham intrinsecamente unidos de forma a não fazer o primeiro  afundar-se no puro animal e sim torná-lo amoldado ao que realiza a pessoa humana, marcada pelo amor divino.

Quem vive conforme o projeto de Deus assume a fé sobrenatural que o leva a confiar plenamente nele e sabe assumir também os limites e sacrifícios da vida com inteira confiança no que Jesus ensina: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso” (Mateus 11,28). De fato, quem se deixa conduzir pelo Espírito de Deus nada teme, sabendo que Ele o ajuda a vencer na vida e conquistar a própria realização, com o resultado de ter feito o melhor de  si e andar pelo caminho que conduz à maior ideal de vida.

Por Dom José Alberto Moura – Arcebispo Metropolitano de Montes Claros, MG


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