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Artigos › 21/07/2018

Confiança em Deus

Caros amigos, continuamos nossa reflexão sobre o tema da santidade, motivados pela Exortação Apostólica Gaudete et exsultate. O chamado à santidade é um ato livre e amoroso de Deus à toda humanidade. Cabe ao homem, no uso pleno de sua liberdade e auxiliado pela graça divina, responder a este projeto de felicidade. Como filhos, somos chamados a moldar a vida segundo o exemplo e as palavras do próprio Deus feito homem, e não mais pelos desejos da carne e pelas paixões do mundo.

São Pedro, em sua primeira carta, recorda o texto levítico – “Sede Santos, porque eu sou santo” (Lv 11,44) – ao exortar a comunidade primitiva à vida santa, digna da condição de cristãos (cf. 1Pe 1,13–2,10). Este imperativo arroga sobre o homem uma grande responsabilidade. O Papa Francisco aponta as bem-aventuranças como a essência da santidade. Diz que para ser um bom cristão, para ser santo, “é necessário fazer – cada qual a seu modo – aquilo que Jesus disseno sermão das bem-aventuranças” (Gaudete et exsultate, 63).

Mas, ao olharmos para nossa natureza ferida pelo pecado, inclinada para o mal e para a morte, somos tentados ao desânimo por não possuirmos forças suficientes para cumprirmos esta meta de santidade. Pensar assim é ser, na prática, pelagiano. Ao reconhecer nossas limitações, a postura que devemos ter é de colocarmos toda nossa confiança em Deus. Só podemos viver os ensinamentos de Jesus “se o Espírito Santo nos permear com toda a sua força e nos libertar da fraqueza do egoísmo, da preguiça, do orgulho” (idem, 65).

São encorajadoras as palavras de Santa Teresa de Calcutá aludidas pelo Papa: “sim, tenho muitas fraquezas humanas, muitas misérias humanas. (…) Mas Ele abaixa-Se e serve-Se de nós, de ti e de mim, para sermos o seu amor e a sua compaixão no mundo, apesar dos nossos pecados, apesar das nossas misérias e defeitos. Ele depende de nós para amar o mundo e demonstrar-lhe o muito que o ama”. Diante disso, não podemos nos acomodar, viver uma vida de tranquilidades.

Ser santo é nadar contra a corrente; exige radicalidade! Ser santo é ser luz para iluminar as trevas de uma sociedade medíocre, enredada numa trama política doente e que estorva a dignidade humana e o bem comum; é ser sal para dar sabor a um mundo que no interesse de satisfações nega o valor da cruz de Cristo, dissimulando a própria realidade (cf. idem 90-92). “Onde está o teu tesouro, aí está também o teu coração” (Mt 6,21). O catecismo da Igreja Católica afirma que a Bem-aventurança prometida por Deus nos coloca perante as opções morais decisivas. É preciso conhecer a verdade do nosso coração, purifica-lo e procurar o amor de Deus acima de tudo (cf. Catecismo, 1723).

A verdadeira felicidade não está no bem-estar, no poder ou no acúmulo de riquezas. “Quando o coração se sente rico, fica tão satisfeito de si mesmo que não tem espaço para a Palavra de Deus, para amar os irmãos, nem para gozar das coisas mais importantes da vida” (Gaudete et exsultate, 68). A mensagem evangélica das bem-aventuranças nos convida a olharmos para nós mesmos, com os defeitos e as limitações próprios da condição humana, e a reconhecermos que em nossa fraqueza age a graça de Deus. “Porque, quando me sinto fraco, então é que sou forte” (2Cor 12,10).

Dom Edney Gouvêa Mattoso,
Bispo Diocesano de Nova Friburgo


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