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Artigos › 22/06/2018

Fé na Copa do Mundo

A Copa Mundial de Futebol mexe com todo o globo terrestre. Do oriente ao ocidente, do norte ao sul, dos países pobres aos países ricos, negros, brancos, amarelos e vermelhos, culturas se encontram e, em geral, reina a paz.

Paro um pouco diante de atitudes religiosas dos jogadores e das torcidas. Vindos de crenças diferentes, assistimos, não raras vezes, expressões de fé e gestos de oração que aparecem nas telas da mídia. Certamente, muitas não são focalizadas e tantas são guardadas apenas no segredo da mente e no silêncio do coração. Diz o ditado: “Coração dos outros é terra a que ninguém vai”. Entre os torcedores, são muitas as expressões espirituais e há gente que até faz promessa para sua esquadra ganhar.

No dia 18, segunda-feira passada, a seleção do Panamá, que estreava no campeonato mundial, mesmo tendo sido derrotada pela Bélgica por três a zero, se ajoelha para rezar em ação de graças.

Que gesto bonito! Lembrei-me de uma frase escrita numa quadra de futsal, na cidade de Divinópolis, onde, adolescente, fazia meu curso ginasial. Estava escrito algo assim: “Mais importante que vencer é competir”. Entendi, diante do gesto eloquente do time do Panamá, que competir já é vitória, pois estar ali é sinal de que se encontra entre os melhores do mundo. E quando vi que jogaram bem, mas não conseguiram fazer nenhum gol, concluí que mais vale a vitória da honra que o sucesso nas disputas, e que mais alto que as recompensas humanas, está a fé que nos faz superar momentos de eventuais derrotas no caminhar da vida. Na verdade, muitas coisas que parecem derrota, muitas vezes vão se revelar como vitória mais à frente. Quem é cristão entenderá bem isto, pois em Cristo tal fato se evidenciou inconteste.

Naquele mesmo jogo, uma cena chamou a atenção do mundo e emocionou os que têm fé. Um jogador da Bélgica e outro do Panamá, sem nem perceber o que o outro estava fazendo, ao mesmo tempo, e muito próximos um do outro, se ajoelham para rezar. São dois países cristãos. Certamente aqueles atletas receberam educação religiosa de suas famílias, e no coração percebem, desde a infância, que Deus está e deve estar sempre em primeiro lugar em tudo. Nada pode, de fato, se antepor a Deus em nossa vida e nem em nossas competições. Fazendo o sinal da cruz, com o qual ambos se persignaram, expressam sua fé católica.

Mas vemos também expressões típicas de outras correntes cristãs, como protestantes, pentecostais, ortodoxos e não cristãos. São sinais inequívocos de que, além das disputas esportivas, além do desejo legítimo de ganhar o título e levar a taça, há no coração humano algo maior, mais importante, duradouro e invencível, que é Deus.

Reveste-se de sacralidade também o gesto de solidariedade praticado pela Islândia, que pousou com uma camisa estampada com o nome de Carl Ikene, nigeriano, goleiro da esquadra, porém que não pode ir à Copa da Rússia por causa de um câncer, contra o qual está lutando com pesados tratamentos.

São Paulo Apóstolo se serviu desta realidade para expressar sua firme convicção, ao fim do jogo da vida. Escrevendo a Timóteo, professa: “Combati o bom combate, terminei minha corrida, guardei a fé. Desde agora, me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia, não somente a mim, mas também a todos os que tiverem esperado com amor a sua volta” (2ª. Tim 4, 7-8).

Também através das copas, Deus se manifesta carinhosamente aos seus filhos.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo de Juiz de Fora


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