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Notícias da diocese › 13/04/2017

Homilia na íntegra de Dom Messias: Missa do Crisma

A Missa do Crisma neste ano acontece no contexto celebração do Ano Vocacional Mariano e dos 60 anos da instalação da nossa amada diocese de Uruaçu. 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora no Rio Paraíba do Sul. 100 anos das aparições de Nossa Senhora da Fátima. Dez anos da V Conferência de Aparecida. 50 anos da Renovação Carismática. Dois sacerdotes de nossa Diocese neste ano celebram seu jubileu de prata de ordenação presbiteral. Dez anos de meu ministério episcopal nesta nossa diocese e 25 anos de minha ordenação presbiteral. Convido a todos a estarmos unidos na oração ao Pe. Marcelo Gualberto que o missionário de nossa Diocese na Amazônia. Nos unimos aos Presbíteros que passam por dificuldades e pelos enfermos. Nestes dias percebemos o testemunho de solidariedade dos padres de uma Forania que se revesaram para acompanhar, no hospital e em casa um irmão enfermo. Esses gestos tem sido cada vez mais freqüentes.

Este é um dia sagrado e cheio de profundo conteúdo espiritual para nós que fomos chamados por Cristo, para sermos ministros Dele. Nesta Missa do Crisma, os presbíteros aqui se reúnem para concelebrar comigo e renovar as promessas sacerdotais relacionadas com a vocação e com o serviço na Igreja de Cristo. Aqui vamos consagrar o óleo do Crisma e abençoar os óleos do Batismo e da Unção. A graça santificante deve se difundir em toda nossa diocese formando santos na Igreja de Cristo.

Esta Eucaristia é sinal da nossa unidade em Cristo e do vigor de nossa Diocese. Somos uma Igreja que completando 60 anos continua a crescer.
Nossa Diocese cresceu graças ao amor de Deus que impulsionou sacerdotes, no passado, em número reduzido a saírem de suas casas, irem ao encontro das pessoas nos lombos de cavalos, ou nos precários veículos para cumprirem a missão. No começo os sacerdotes eram poucos, mas o amor era grande. Pessoas foram evangelizadas. As marcas de Cristo ficaram gravadas nos corações de muitas pessoas. Naquele tempo os zelosos sacerdotes eram criativos para trabalharem com o que se tinha. Nem sempre tinha um veículo, uma casa paroquial, uma igreja, mas tinham o amor que os fazia mover para levarem a alegria de Deus para muitas pessoas. O mais importante era trabalhar para Cristo. A missão tinha e tem um sentido. Quando foi criada a Prelazia de São José do Tocantins a mesma foi confiada à Congregação dos Missionários Claretianos. Monsenhor Ozâmis e Dom Florentino foram os dois primeiros Prelados. Dom Prada, Missionário Claretiano, foi o terceiro Prelado e fez a transição de Prelazia para Diocese. Foi o primeiro Bispo Diocesano, sendo Dom José Chaves o segundo e eu o terceiro.

Sessenta anos depois os sacerdotes rodeados dos representantes de suas comunidades, consagrados e seminaristas aqui estão, nesta igreja Catedral, para renovarem as promessas sacerdotais e continuarem comprometidos com a missão que Deus lhes confiou.

Um dia cada um foi ordenado presbítero. A missão começou. A vida mesma se encarregou contribuir para o amadurecimento de cada um. Os esforços para ajudar e amar a Diocese tem sido grandes.
Cada um fez e está fazendo uma história sacerdotal. Apresentemos hoje a Deus essa história pessoal, mas também comunitária.
Saúdo com amor a cada presbítero, neste dia em que celebramos a instituição do sacerdócio ministerial. Somos uma geração com corações recriados pela Graça do Espírito Santo que renova a face da terra e nos santifica.

Neste dia cada um revive na mente e no coração, o seu próprio caminho até o sacerdócio (seu itinerário vocacional) e o tempo de vida e serviço sacerdotal. Eu quero lembrar aqui alguns elementos centrais da vida e do ministério dos sacerdotes.

1. A identidade do presbítero. Essa se liga muito à vontade divina de salvação. Seu ministério está voltado para a salvação das pessoas. Nas suas ações deve-se transparecer que ele é um ministro da salvação. Ontologicamente assimilado a Cristo está ordenado ao serviço da comunidade. A vivência do celibato evidencia sua total pertença à Cristo. É preciso tomar muito cuidado para que o sacerdote não seja secularizado. Não abandone a sua identidade se identificando com as coisas do mundo. “Eles não são do mundo, como eu não sou do mundo” (Jo 17,16). O sacerdote alter Christus, é na Igreja o ministro das ações salvíficas essenciais.

2. Unidade de vida. A santidade do cristão leigo e do sacerdote é a mesma, mas ele deve tender a ela por um novo motivo: para corresponder aquela nova graça que na ordenação o configurou para representar a pessoa de Cristo. Sob o alicerce da descoberta e vivência da vontade divina e da caridade pastoral se constrói a sua unidade de vida, ou unidade interior entre vida espiritual e atividade ministerial. O sacerdócio não está na periferia da vida, mas no seu próprio centro, pois tem capacidade de iluminar, reconciliar e fazer novas todas as coisas. Pode acontecer que alguns depois de um tempo podem experimentar desafeto, ilusão e até chegar ao fracasso. É preciso cuidar-se pois o dinamismo ministerial sem uma sólida espiritualidade sacerdotal traduz-se num ativismo vazio e desprovido de todo profetismo. O vazio surge se não houver um amor vigilante do ministério que traz em si para o bem da Igreja e da humanidade. Toda ação pastoral será frutuosa e entusiasmante se houver um colóquio intimo de adoração, perante o Bom Pastor presente no Santíssimo Sacramento do Altar. A obra pastoral de maior relevância decididamente resulta da espiritualidade. Todo Plano de Pastoral, projeto missionário, dinamismo na evangelização, que prescindisse do primado da espiritualidade e do culto divino, estaria destinado ao fracasso.

3. Um caminho específico para a santidade. O sacerdócio ministerial introduz uma novidade na vida espiritual de quem recebeu este dom. Torna-se um caminho de santidade no ministério e pelo ministério. A santidade sacerdotal depende do cultivo da consciência de ser ministro e de dar importância a esse fato. A intenção de fazer o que a Igreja faz ilumina a vida espiritual do ministro sagrado e deve tornar-se uma vontade permanente de unir a mente, os sentimentos, a vida, todas as disposições morais e espirituais do sacerdote. A espiritualidade sacerdotal exige que ele respire um clima de proximidade ao Senhor Jesus, de amizade, de encontro pessoal, de missão, de amor e serviço. A Eucaristia deve ocupar para o sacerdote o lugar central de seu ministério. Daí a importância da preparação para a Santa Missa, a celebração cotidiana, a ação de graças e as visitas a Jesus sacramentado no arco do dia. Além da Eucaristia o sacerdote tem a graça de celebrar diariamente a Liturgia das Horas, que ele livremente assumiu com grave responsabilidade. Assim percebemos que o exercício do sacerdócio torna-se de verdade um caminho para a santidade.

4. A fidelidade do sacerdote à disciplina da Igreja. A consciência de ser ministro conduz para o agir orgânico do Corpo de Cristo. A Igreja indica como o sacerdote deve viver e agir para que as pessoas encontrem Cristo nele. Especial tenção deve ser dada às disposições litúrgicas. Não inventamos, mas seguimos o que a Igreja propõem.

5. O sacerdote na comunhão eclesial. O padre deve ser o tecelão paciente da comunhão da sua paróquia com a sua Igreja particular e com a Igreja universal. Hoje lhes entrego a minha segunda Carta Pastoral. Ela foi escrita a partir do meu lema episcopal: “Permanecei em mim”. É uma exortação para se viver a comunhão. Peço que estudem essa carta com as lideranças especialmente os capítulos que tratam da pessoa e missão do bispo e as indicações práticas.

6. O sentido universal e particular. A Diocese é uma Igreja Particular. Quero pedir-lhes que tenham muito amor à nossa Diocese. Quem ama não esquece, sente saudades, ajuda e se sacrifica com alegria para servir a quem ama. Amemos a nossa diocese. É preciso sacrificar-se por ela até o dom da própria vida. A Igreja Universal, conduzida pelo Papa, não é a soma das Igrejas Particulares, mas nas Dioceses a Igreja Universal está ontologicamente presente, por isso precisamos ter bem claro que uma só é a Igreja. A nossa ligação de comunhão com a Sé de Pedro constitui a garantia e a condição necessária de que não somos isolados e nem um grupo que se soma. Existe uma profunda comunhão com Pedro, que hoje se chama Francisco. Amemos nossa Igreja. Vivamos felizes a nossa fé. Vivamos a unidade. E vamos celebrar com alegria os 60 anos de nossa diocese.

Dom Messias dos Reis Silveira

Bispo da Diocese de Uruaçu

 

 


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