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A Voz do Pastor › 26/06/2014

Visitados pelo mistério

Por Dom Messias dos Reis Silveira

Em dezembro o país se transforma em uma grande festa, e a maior motivação é a comemoração do Natal. Muitos, mesmo não cristãos, entram no embalo e promovem reuniões familiares, entre amigos, troca de presentes. As casas, ruas e lugares públicos são ornamentados. Qual é o principal motivo de tudo isso? É simplesmente “seguir o fluxo” ou há algo que vai além?

Existem realidades sagradas que ultrapassam os seus limites e vão além de suas origens. É caso por exemplo de São Francisco que é respeitado e valorizado não apenas pelos cristãos, é o caso do Natal, da Páscoa e de algumas devoções populares e romarias que reúnem milhares de pessoas nem todas motivadas pelo principal motivo de sua celebração. As motivações para viver esses momentos estão no profundo da existência humana e talvez palavras não consigam explicá-las. Trata-se de uma leveza espiritual que vai além do que os olhos podem ver.

O Natal não é diferente. Ele é uma festa cristã, mas seus símbolos são usados para além das intenções religiosas. O mistério divino vazou da eternidade e fez morada na finitude da vida humana dando um novo significado para a existência. Desde aquele acontecimento divinal a finita humanidade viaja rumo a eternidade mesmo por caminhos que aos olhos do mundo são tortos, mas podem ser situações criadas para que em algum momento o humano encontre o divino. No Natal afloram sentimentos bons, valores especiais que são muito próprios da vivência de quem tem sementes do Verbo em sua vida. Cabe aos cristãos aproveitarem esses momentos tão bons para fazer germinar a boa semente já derramada no chão da vida. O cuidado para esse germinar exige criatividade, amor, ternura, evangelização e testemunho. Natal é tempo de testemunhar que se pode viver em harmonia com o diferente. A celebração natalina traz harmonia ao mistério da vida.

O ritmo de vida e comemorações que se estabelecem no Natal entram no embalo de um mistério que precisa ser muito aprofundado. É preciso se tornar criança para começar a compreender. Na pequenez o tudo se revela. Deus se tornou criança para que a vida fosse grande. É preciso ir além do que conseguimos ver, tocar e até mesmo pensar. O Natal nos convida ao mistério da abertura. Ele é uma festa aberta e onde existe um coração aberto para acolher o Senhor pode vir morar. Uma gruta não tem portas e o mundo está precisando de portas abertas, pois elas foram se fechando pelo medo, pela desconfiança, pelo egocentrismo. Mais uma vez a graça divina está passando a procura de acolhida. O Mistério visitará muitas pessoas nos festejos natalinos e algumas delas passarão a hospedá-lo.


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